Clandestino gera desemprego

A cada ano, Campina Grande vem registrando uma queda no número de pessoas que utilizam o sistema de transporte público da cidade. Só para termos uma ideia, em 2000, cinco milhões de pessoas eram usuárias, por mês, do ônibus coletivo; já em 2014, esse número caiu para 2,6 milhões, segundo informações do Comitê em Defesa do Transporte Público Legal (Comtranslegal). Para Anchieta Bernardino, diretor executivo do comitê, a diminuição na quantidade de passageiros se deve à proliferação dos transportes clandestinos que atuam na cidade de forma irregular.

Como consequência, conforme Anchieta, o transporte clandestino gera desemprego e insegurança para o setor, atingindo não só as empresas de ônibus urbano, mas também os taxistas e mototaxistas. Atualmente, Campina Grande conta com uma frota de 200 ônibus coletivos gerenciados por seis empresas, gerando 3.500 empregos. No entanto, no último ano, 450 cobradores e 70 motoristas foram demitidos por causa da diminuição da procura por ônibus coletivo, apontou o presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e Trabalhadores em Transporte Urbano de Passageiros (Simcof), Antonino Macedo.

O diretor executivo do Comtranslegal ainda lembrou que, além da diminuição no número de passageiros registrada ao longo dos anos, a operação ficou mais onerosa com o aumento da quantidade de quilômetros percorridos, que passou de 950 mil (2000) para 1,4 milhão, em 2014. “Esse aumento na quantidade de quilômetros percorridos foi necessário para melhor atender à população e chegar a bairros mais afastados do Centro”, disse.

Por cobrar valores menores, Anchieta Bernardino afirmou que muitas pessoas estão migrando para o transporte clandestino de passageiros, mas sem levar em conta a questão da segurança, pois, em muitas ocasiões, esses motoristas que atuam como alternativos não têm preocupação com a qualidade do serviço e os carros são sucateados. “Junto com a Prefeitura de Campina Grande, estamos lutando para um melhor serviço de transporte público com melhorias nas vias urbanas e implantação de mais terminais de integração de passageiros”, ressaltou.

INTEGRAÇÃO
A frota de ônibus de Campina Grande atende diariamente 100 mil pessoas, e, com a implantação de mais terminais de integração, esse número pode aumentar, conforme apontou Anchieta Bernardino. As obras do terminal de passageiros das Malvinas já estão em fase de conclusão, previstas para serem entregues em agosto.

E em breve, os moradores dos bairros Jardim Verdejante, Três Irmãs, Cidades e Catingueira, vão ser beneficiados com outro equipamento de integração temporal. Para atender essa população, ônibus sanfonados, com capacidade para 200 passageiros, farão o transporte, diminuindo, assim, o tempo do percurso até o centro da cidade.

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