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Mobilidade espera soluções

O trânsito de Campina Grande tem apresentado pontos com elevado nível de congestionamento, principalmente nos horários de pico. Uma das causas é o aumento da frota de veículos na cidade, que hoje ultrapassa os 140 mil, para uma população de quase 400 mil habitantes. Mas o principal problema apontado pela população é a falta de um plano de mobilidade, ruas esburacadas ou sem calçamento e, para quem depende do transporte público, a ausência de faixas exclusivas para ônibus em vias de maior movimento.

Diariamente, a frota de ônibus da cidade, 220 veículos, transporta uma média de 100 mil passageiros, segundo informou o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (Sitrans). A demora no trajeto, devido a inúmeros problemas, é a principal queixa dos usuários do transporte público.

Para Maria Tavares, 28 anos, que mora no Catolé e trabalha em uma loja no centro da cidade, em horário normal o ônibus em que ela trafega todos os dias faz o trajeto em 18 minutos, mas em horário de pico, chega a contabilizar até 30 minutos ou mais. “O que ajuda no trajeto é a faixa seletiva de ônibus na avenida Canal, mas tirando isso, é congestionamento todo o caminho”, afirmou.

Para o diretor institucional do Sitrans, Anchieta Bernardino, todos nós temos que levar em conta a importância do transporte público para deslocamento das pessoas, só assim conseguimos melhorar a qualidade do trânsito da cidade, além da pavimentação em locais que ainda precisam de estrutura.

Como condição urgente, Anchieta defende a implantação de faixas exclusivas para ônibus em vários pontos da cidade. Atualmente, Campina Grande conta com apenas a faixa seletiva na avenida Jiló Guedes (avenida Canal), ligando a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep) ao Viaduto Elpídio de Almeida, por uma extensão de três quilômetros. Outra avenida que deverá receber no segundo semestre uma faixa exclusiva para ônibus é a Floriano Peixoto, por nove quilômetros entre a rua Melo Leitão e o Hospital de Trauma de Campina Grande.

Anchieta Bernardino reafirma que o passageiro precisa ter a garantia de que chegará no seu destino no horário programado e sem contratempos toda vez que usar o transporte público do município. E com a preocupação de pensar em propostas e soluções para a mobilidade urbana de Campina Grande, há dois anos é realizado o Seminário Cidade Expressa.

SEMINÁRIO
A segunda edição do evento aconteceu em junho deste ano e reuniu autoridades, profissionais e técnicos da área de mobilidade urbana do país para trocar experiências e apontar propostas para que Campina Grande desenvolva soluções visando facilitar o deslocamento das pessoas, por meio motorizado e não motorizado, conforme prevê a legislação.
E uma solução para melhorar a mobilidade de Campina Grande divulgada no seminário foi a criação da Alça Leste, que fará uma ligação entre a BR-230 (por trás do Garden Hotel) e a avenida Santo Antônio, em direção ao município de Massaranduba.

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Falta de pavimentação e buracos provocam atraso

Os motoristas de ônibus de Campina Grande alegam que a falta de pavimentação e ruas esburacadas são os principais motivos para o atraso do trajeto, além de serem constantes os problemas mecânicos e sujeira acumulada nos veículos. Um dos trechos considerados mais críticos pelos condutores de ônibus é entre os Cuités e Jenipapo, que não tem pavimentação e as ruas são de terra e esburacadas.

A gerência de tráfego da empresa Viação Cabral, que atende a área dos Cuités e Jenipapo, informou que o atraso no trajeto dos ônibus chega a 20 minutos devido à falta de pavimentação na área.

Todos os dias o pedreiro José Mário, 52 anos, precisa pegar o ônibus dos Cuités até o bairro da Prata, onde trabalha em uma obra. O maior problema apontado por ele é a poeira que ele precisa aguentar enquanto espera o transporte na parada, além da demora para chegar até o destino final, já que os ônibus precisam ir devagar para fazer o trajeto na via que ainda não recebeu calçamento.

A gerente de Transporte da Superintendência de Trânsito e Transporte Público (STTP), Araci Brasil, disse que o órgão está fazendo um levantamento de todos os locais que precisam de melhorias para uniformizar a malha viária de ônibus da cidade.

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Usuários pedem paradas

Além dos inúmeros problemas apontados pela população pelo atraso dos ônibus em Campina Grande, a ausência de paradas de ônibus adequadas, principalmente nos bairros periféricos da cidade, causa transtorno em época de chuva como atualmente, ou no verão com sol forte.

Segundo o presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e Trabalhadores em Transporte Urbano de Passageiros, Antonino Macedo, muitas pessoas que necessitam do transporte público sofrem com a falta de pontos de apoio adequados e precisam ficar ao relento esperando o ônibus.

Antonino Macedo afirmou que apenas no centro da cidade é possível encontrar um número maior de paradas de ônibus cobertas e com assentos, mas quando vai para bairros mais distantes, a situação se complica quando o passageiro precisa ficar em pé no sol ou na chuva esperando, muitas vezes em uma calçada sem proteção, pelo transporte.

A gerente de Transporte da STTP, Araci Brasil, informou que a grande dificuldade do órgão é em relação à largura das calçadas, que tem entre 1,80 a dois metros, pois para instalar um abrigo de ônibus coberto é necessário deixar espaço para os pedestres e cadeirantes. “Desde o ano passado, estamos instalando uma média de 40 novos abrigos, entre eles piquetes. Mas também estamos fazendo um estudo para relocação, pois é difícil encontrar calçadas com largura adequada”, ressaltou.

A estudante Virna Lins, 23 anos, que mora nas Malvinas e diariamente se desloca até Bodocongó, onde faz faculdade, disse que a parada de ônibus onde ela espera todas as manhãs é apenas um piquete de concreto. “Quando chove ou está fazendo sol forte, ficamos na rua nos protegendo como podemos, à espera do ônibus. É preciso uma atenção maior e mais pontos de apoio adequados em todos os bairros”, ressaltou.

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Faixa seletiva melhora sistema de transporte

Eficiência e rapidez. São praticamente palavras mágicas que todos que usam o transporte público em Campina Grande buscam diariamente. E uma das soluções encontradas pelo município foi a implantação da faixa seletiva, que vem dando certo em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia, e está em pleno funcionamento em Campina Grande desde maio de 2013. A vantagem principal desse tipo de projeto (faixa seletiva) é o custo, que é barato, e não exige obra de grande porte.

Com isso, desde a sua implantação na avenida Jiló Guedes, também conhecida como avenida Canal, ligando a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep) ao Viaduto Elpídio de Almeida, por uma extensão de três quilômetros, o congestionamento na área diminuiu para 2,5 km, o que antes era de 5,4 km, segundo informou a gerente de Transporte da Superintendência de Trânsito e Transporte Público (STTP), Araci Brasil.

Todos os dias, mais de 20 rotas das linhas de ônibus vermelha, verde, marrom, branca e preta são feitas pela faixa seletiva levando os passageiros. Araci Brasil ainda informou que outra vantagem da faixa seletiva foi a diminuição da velocidade operacional, que antes era de 15 quilômetros por hora, e agora os ônibus estão circulando a 5 km/h.

Quem gostou da solução da faixa seletiva foi a comerciária Suênia Barbosa, 34 anos, que diariamente pega um ônibus do José Pinheiro em direção ao centro da cidade, onde trabalha. “Logo na primeira semana, percebi a vantagem desse tipo de serviço, pois diminuiu em muito meu tempo de viagem e nunca mais cheguei atrasada no trabalho, pois o trânsito está fluindo bem”, ressaltou.

CIRCULAÇÃO
A faixa seletiva sempre fica localizada no lado direito da via, e em Campina Grande, os táxis e ambulâncias, quando estiverem transportando passageiros e pacientes, respectivamente, também podem circular na área selecionada. Já os veículos de passeio não estão autorizados a utilizar as faixas seletivas de trânsito.

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Táxi também é beneficiado

Em Campina Grande, já está provado que a faixa seletiva consegue tirar os ônibus dos congestionamentos, com redução do tempo de viagem. Foi o que afirmaram os presidentes dos sindicatos dos Taxistas, José Domingos de Sousa, e o dos Condutores de Veículos Rodoviários e Trabalhadores em Transporte Urbano de Passageiros (Simcof), Antonino Macedo.

Antonino Macedo disse que a faixa seletiva contribuiu, principalmente, para diminuir o número de congestionamentos que havia na área. Antes, segundo ele, os ônibus, em um corredor compartilhado com automóveis, motos e outros veículos, gastavam 18 minutos no trecho que vai do Açude Velho até o viaduto Elpídio de Almeida. Hoje, esse tempo diminuiu para 4 minutos. “Melhorou praticamente 100% tanto para o motorista de ônibus como também para o usuário de transporte coletivo”, afirmou.

Com uma frota de 583 táxis, o presidente do Sindicato dos Taxistas, José Domingos de Sousa, também avaliou como positiva a faixa seletiva, pois possibilitou que os veículos peguem uma via de acesso mais rápida. “Quem pega um táxi tem pressa de chegar ao seu destino, e com faixa exclusiva para ônibus e táxis como essa da avenida Canal facilita em muito o nosso trabalho para prestar um serviço de qualidade”, ressaltou.

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Com expansão, projeto chega à Floriano Peixoto

A principal avenida de Campina Grande, a Floriano Peixoto, também contará com faixas seletivas para ônibus a partir do segundo semestre deste ano, segundo informou a gerente de Transporte da STTP, Araci Brasil. O projeto já começou a ser executado com a implantação de placas regulamentando o estacionamento e a parada proibida no trecho entre a rua Melo Leitão e o Hospital de Trauma de Campina Grande.

A faixa seletiva vai contemplar nove quilômetros de extensão nas duas vias da avenida Floriano Peixoto, atendendo mais de 20 rotas de linhas de ônibus, entre elas a amarela, marrom, vermelha, laranja e branca.

Araci Brasil informou que o projeto executado na Floriano Peixoto (da rua Melo Leitão ao Hospital de Trauma) é similar ao que foi implantado na avenida Canal, que resultou em melhoria para o sistema de transporte público de passageiros da cidade.

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Clandestino gera desemprego

A cada ano, Campina Grande vem registrando uma queda no número de pessoas que utilizam o sistema de transporte público da cidade. Só para termos uma ideia, em 2000, cinco milhões de pessoas eram usuárias, por mês, do ônibus coletivo; já em 2014, esse número caiu para 2,6 milhões, segundo informações do Comitê em Defesa do Transporte Público Legal (Comtranslegal). Para Anchieta Bernardino, diretor executivo do comitê, a diminuição na quantidade de passageiros se deve à proliferação dos transportes clandestinos que atuam na cidade de forma irregular.

Como consequência, conforme Anchieta, o transporte clandestino gera desemprego e insegurança para o setor, atingindo não só as empresas de ônibus urbano, mas também os taxistas e mototaxistas. Atualmente, Campina Grande conta com uma frota de 200 ônibus coletivos gerenciados por seis empresas, gerando 3.500 empregos. No entanto, no último ano, 450 cobradores e 70 motoristas foram demitidos por causa da diminuição da procura por ônibus coletivo, apontou o presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e Trabalhadores em Transporte Urbano de Passageiros (Simcof), Antonino Macedo.

O diretor executivo do Comtranslegal ainda lembrou que, além da diminuição no número de passageiros registrada ao longo dos anos, a operação ficou mais onerosa com o aumento da quantidade de quilômetros percorridos, que passou de 950 mil (2000) para 1,4 milhão, em 2014. “Esse aumento na quantidade de quilômetros percorridos foi necessário para melhor atender à população e chegar a bairros mais afastados do Centro”, disse.

Por cobrar valores menores, Anchieta Bernardino afirmou que muitas pessoas estão migrando para o transporte clandestino de passageiros, mas sem levar em conta a questão da segurança, pois, em muitas ocasiões, esses motoristas que atuam como alternativos não têm preocupação com a qualidade do serviço e os carros são sucateados. “Junto com a Prefeitura de Campina Grande, estamos lutando para um melhor serviço de transporte público com melhorias nas vias urbanas e implantação de mais terminais de integração de passageiros”, ressaltou.

INTEGRAÇÃO
A frota de ônibus de Campina Grande atende diariamente 100 mil pessoas, e, com a implantação de mais terminais de integração, esse número pode aumentar, conforme apontou Anchieta Bernardino. As obras do terminal de passageiros das Malvinas já estão em fase de conclusão, previstas para serem entregues em agosto.

E em breve, os moradores dos bairros Jardim Verdejante, Três Irmãs, Cidades e Catingueira, vão ser beneficiados com outro equipamento de integração temporal. Para atender essa população, ônibus sanfonados, com capacidade para 200 passageiros, farão o transporte, diminuindo, assim, o tempo do percurso até o centro da cidade.

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Procura por táxi diminui 40% em Campina Grande

Além das empresas de transporte público registrarem desemprego e diminuição no número de passageiros, os taxistas e mototaxistas regularizados de Campina Grande também amargam prejuízo por causa dos clandestinos que atuam na cidade. Segundo o presidente do Sindicato dos Taxistas, José Domingos de Sousa, a categoria vivencia uma concorrência desleal com uma frota de 583 táxis atuando contra mais de mil transportes clandestinos oferecendo um serviço a um menor preço, mas sem a segurança que um sistema regularizado disponibiliza.

Com a proliferação do número de transporte clandestino, José Domingos informou que, nos últimos anos, a procura por táxis na cidade diminuiu cerca de 40%. Já o Sindicato dos Mototaxistas também vem recebendo queixas dos profissionais que estão deixando o serviço devido à concorrência desleal no setor.

Para Isaque Noronha, presidente do sindicato, Campina Grande conta com mil mototaxistas regularizados conforme a lei 12.009/2009. “O problema de quem atua na clandestinidade é que eles não atendem à legislação, como por exemplo, possuir dois anos de habilitação de moto, assim como não possuir antecedentes criminais, e trabalham de todo jeito”, afirmou.