Povo não participou da escolha dos primeiros prefeitos de CG

O cargo de prefeito só veio a ser criado pela Lei Estadual n° 27, sancionada pelo governador Álvaro Machado em 2 de março de 1895. O Poder Executivo saía das mãos dos conselheiros municipais e passava a ser exercido pelo prefeito, que por sua vez era nomeado por livre critério do presidente do Estado. Estava instalada a divisão entre o Executivo e o Legislativo, mas o povo continuava sem o direito de definir seus governantes em âmbito municipal.

Apesar de mudar a estrutura administrativa, a nova lei mantinha a centralização do poder no presidente do Estado. “Era a intromissão do governo estadual na vida do município, influindo diretamente em sua gerência, comandando pessoalmente a sua política, extinguindo a sua já debilitada independência. Desaparece o único vestígio de autonomia municipal”, escreveu Elpídio de Almeida em seu livro sobre a história da cidade.

Também foi criado o cargo de subprefeito, que era nomeado pelo governo estadual. Não havia um prazo definido para a duração do mandato dos gestores, que podiam ser retirados da função e substituídos de acordo com a vontade do chefe do Executivo estadual.

O primeiro prefeito nomeado foi Francisco Camilo de Araújo, por indicação do chefe político local João Lourenço Porto, que por sua vez assumiria em seguida sendo o segundo prefeito da cidade. Houve ainda eleição para formação da Câmara Municipal, com posse em janeiro do ano seguinte. Com as mudanças, as câmaras tiveram suas funções reduzidas à aprovação dos atos dos prefeitos e as sessões passaram a ser cada vez mais raras.

Como a gestão municipal era dependente do governo estadual, bastou a saída de Álvaro Machado da presidência do Estado para que houvesse mudança não apenas no nome do ocupante da prefeitura, mas também no modelo administrativo.

O cargo de prefeito foi revogado por lei estadual promulgada em 1900, no governo de Antônio Alfredo da Gama e Melo. A função voltava a ser exercida pelo Conselho Municipal. Nessa época, João Lourenço Porto exerceu a função de chefe do Executivo enquanto presidente do conselho.

Em 1904, Álvaro Machado volta à presidência do Estado e pouco tempo após a posse decide revogar a instalação dos conselhos municipais, recriando os cargos de prefeito e subprefeito. A nova mudança tinha o objetivo de entregar a direção dos municípios a lideranças que aderissem ao Partido Republicano da Paraíba, cujo presidente era o chefe do Executivo estadual. O cargo servia como ‘moeda de troca’ política.

Em seguida, Cristiano Lauritzen foi nomeado prefeito de Campina Grande com Manuel Cavalcante Belo, subprefeito. O governador ainda extinguiu o Conselho Municipal, nomeando uma comissão com três membros para dar nova organização ao Legislativo. A comissão provisória ainda autorizou a doação do terreno onde seria construída a estação de trem e os armazéns, a pedido do prefeito Cristiano Lauritzen. A chegada do trem seria a principal meta da gestão do prefeito.

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